Papa Francisco expressa aos grandes rabinos seu desejo de amadurecer diálogo católico-judeu

26 de maio de 2014, segunda Papa Francisco expressa aos grandes rabinos seu desejo de amadurecer diálogo católico-judeu

Cristãos e judeus temos um vínculo que nos une desde o alto, recordou esta segunda-feira o Papa Francisco durante o encontro que teve com os dois grandes rabinos de Israel no Centro Heichal Shlomo de Jerusalém, onde expressou seu desejo de que bem como o Bar Mitzvah da tradição judia, o diálogo católico-judeu que leva doze anos, chegue à idade adulta e “possa continuar e tenha um futuro luminoso por diante”.A tradição judia estabelece que quando um varão chega aos treze anos de idade se converte em Bar-Mitzvah, isso quer dizer que adquire os mesmos direitos que um homem adulto; isto é, é moralmente e eticamente responsável das decisões que toma e as ações que realiza.

Nesse sentido, o Papa Francisco recordou que o diálogo entre o Grande Rabinato de Israel e a Comissão da Santa Sede para as relações religiosas com o Judaísmo começou em 2002 graças à iniciativa de San JOÃO PAULO II, inspirado em sua visita a Terra Santa, “e hoje já leva doze anos de percurso”. “Me agradaria pensar que, como o Bar Mitzvah da tradição judia, está já próximo da idade adulta: confio em que possa continuar e tenha um futuro luminoso por diante”, expressou.

Ante o Grande Rabino Sefardí de Israel, Shlomo Moshe Amar; e o Grande Rabino Ashkenazi de Israel, Yona Metzger, o Papa recordou também a amizade que desde faz anos mantém com membros da comunidade judia em Argentina, com quem teve “proveitosas iniciativas de encontro e diálogo”.

“Este caminho de amizade representa um dos frutos do Concílio Vaticano II, em particular da Declaração Nostra aetate, que tanta importância teve e cujo 50º aniversário recordaremos o próximo ano. Na realidade, estou convicto de que quanto sucedeu nos últimos decênios nas relações entre judeus e católicos foi um autêntico dom de Deus, uma das maravilhas que Ele realizou, e pelas quais estamos chamados a abençoar seu nome”, expressou.

Francisco explicou que estas relações devem ir além do plano humano –isto é do respeito recíproco-, e “aprofundar no significado espiritual do vínculo que nos une. Trata-se de um vínculo que vem do alto, que ultrapassa nossa vontade e que mantém sua integridade, apesar das dificuldades nas relações experimentadas na história”.

“Por parte católica, certamente temos a intenção de valorizar plenamente o sentido das raízes judias de nossa fé. Confio, com sua ajuda, que também por parte judia se mantenha e, se é possível, aumente o interesse pelo conhecimento do cristianismo, também nesta bendita terra na que reconhece suas origens e especialmente entre as jovens gerações”, manifestou.

O Papa assegurou que o conhecimento recíproco do patrimônio espiritual, “a valoração do que temos em comum e o respeito no que nos separa, poderão marcar a pauta para o futuro desenvolvimento de nossas relações, que pomos nas mãos de Deus”.“Juntos poderemos dar um grande impulso à causa da paz; juntos poderemos dar depoimento, num mundo em rápida transformação, do significado perene do plano divino da criação; juntos poderemos enfrentar com firmeza toda forma de anti-semitismo e qualquer outra forma de discriminação. O Senhor nos ajude a avançar com confiança e fortaleza de ânimo em seus caminhos. Shalom!”, culminou.