Papa Leão XIV reafirma compromisso com a paz: “Como pastor, não posso ser a favor da guerra”

24 de abril de 2026, sexta Papa Leão XIV reafirma compromisso com a paz: “Como pastor, não posso ser a favor da guerra”

Pontífice condena conflitos armados, critica tratamento dado a migrantes e reforça acolhimento na Igreja, durante coletiva no retorno de viagem à África
Durante o voo de retorno a Roma, após uma intensa viagem apostólica ao continente africano, o Papa Leão XIV concedeu uma entrevista marcada por fortes posicionamentos sobre temas globais sensíveis, como guerra, migração, pena de morte e questões internas da Igreja. Em tom pastoral, o Pontífice deixou claro: sua missão principal continua sendo anunciar o Evangelho, mas sem ignorar os sofrimentos do mundo contemporâneo.

“A guerra nunca é a resposta”

Ao comentar os conflitos internacionais, especialmente as tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o Papa foi enfático ao rejeitar qualquer justificativa para a violência. Ele destacou o impacto devastador das guerras sobre civis inocentes, em especial crianças.
"“Como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão.”"
O Papa relatou, com emoção, histórias de vítimas inocentes, incluindo crianças mortas em ataques recentes, e reforçou a necessidade de proteger os mais vulneráveis. Para ele, o caminho deve ser o diálogo e o respeito ao direito internacional.
Migração: “São seres humanos, não podem ser tratados pior que animais”
Outro ponto central da entrevista foi a crise migratória global. O Pontífice reconheceu o direito dos países de estabelecerem regras para suas fronteiras, mas criticou duramente a forma como muitos migrantes são tratados.

Ele levantou uma reflexão direta:

"“O que faz o Norte do mundo para ajudar o Sul?”"
Segundo o Papa, a migração é consequência de desigualdades estruturais. Ele defendeu maior compromisso das nações ricas e das grandes empresas no desenvolvimento dos países mais pobres, especialmente na África, evitando que milhões sejam forçados a deixar suas terras.
Relações diplomáticas e líderes autoritários
Questionado sobre encontros com líderes considerados autoritários, o Papa explicou que a presença da Santa Sé nesses contextos não significa apoio, mas sim uma estratégia diplomática para promover melhorias concretas.
Segundo ele, muitas ações acontecem “nos bastidores”, como negociações por libertação de presos políticos e ajuda humanitária. A prioridade, reforçou, é sempre o bem das pessoas.

Igreja, moral e acolhimento

Sobre a bênção de casais homossexuais, tema que gera debates dentro da Igreja, o Papa confirmou que o Vaticano não concorda com formalizações adotadas em algumas dioceses, como na Alemanha. No entanto, fez questão de reafirmar o princípio da acolhida universal.
Inspirando-se em uma expressão já conhecida, destacou:
"“Todos, todos, todos são convidados.”"
Ele também alertou para o risco de reduzir a moral cristã apenas à sexualidade, destacando que questões como justiça, liberdade e dignidade humana devem ter maior centralidade.

Contra a pena de morte

O Papa Leão XIV também condenou explicitamente a pena de morte, reforçando a defesa da vida em todas as suas etapas.
"“A vida humana deve ser respeitada desde a concepção até a morte natural.”"
Ele criticou regimes que executam opositores ou cidadãos, classificando tais práticas como injustas e incompatíveis com a dignidade humana.

Missão pastoral acima de tudo

Ao final, o Pontífice voltou ao sentido principal de sua viagem: estar próximo das pessoas. Mais do que discursos políticos, ele destacou a importância de caminhar com o povo, ouvir suas dores e fortalecer a fé.
A passagem pela África, segundo ele, foi marcada por encontros profundos e sinais de esperança — uma experiência que reforça sua convicção de que a Igreja deve ser presença viva junto aos que mais sofrem.

por Wander Soares

com informações de: https://www.vaticannews.va