Padre Nazareno Lanciotti, missionário no Mato Grosso, é beatificado

15 de junho de 2026, segunda Padre Nazareno Lanciotti, missionário no Mato Grosso, é beatificado

O padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que viveu no Brasil, foi beatificado hoje (13), em Jauru (MT). O sacerdote foi martirizado em 2001.

A missa de beatificação foi celebrada pelo enviado especial do papa Leão XIV, o arcebispo emérito de Brasília, cardeal João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Logo no início da celebração, o cardeal Aviz leu a carta apostólica do papa. No texto, Leão XIV diz que, ao atender o desejo do bispo de São Luiz de Cáceres, dom Jacy Diniz Rocha, e de muitos fiéis, concedeu que “o venerável servo de Deus, padre Nazareno Laciotti, sacerdote diocesano, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado beato e seja celebrado no dia 12 de janeiro de cada ano”.

Em seguida, foram levadas até o altar a relíquia de primeiro grau do beato Nazareno, um fragmento de seus ossos, e a imagem do beato.

“A comunidade de Jauru, a diocese de São Luiz de Cácere, os bispos de todo esse regional, de modo especial são agora depositárias desta herança de santidade e de testemunho humano e divino, deixado pelo presbítero e mártir, padre Nazareno Lanciotti”, disse dom João Braz de Aviz em sua homilia. “Ele é agora testemunha qualificada da vida cristã para toda a Igreja e para toda a humanidade partindo daqui”, acrescentou.

O cardeal Braz de Aviz ressaltou que “uma característica muito rica da espiritualidade do beato padre Nazareno, antes de tudo, é a sua vida missionária”. Nascido em Roma, Itália, em 3 de março de 1940, e foi ordenado padre em 1966. Chegou ao Brasil como missionário em 1971 e se estabeleceu em Jauru, na fronteira com a Bolívia.

“Ele deixou a sua terra por causa do Evangelho. Ele partiu para uma terra longínqua, num tempo em que esta região estava iniciando o seu desenvolvimento.  E ele tomou essa atitude com o desejo de seguir Jesus e foi sustentado aqui pela Santa Eucaristia e pelo amor profundo à Virgem Maria, dois fundamentos indispensáveis”, disse dom João.

O cardeal ressaltou que foi “neste mistério da Eucaristia, nesta presença amorosa de Nossa Senhora, venerada sobretudo” pelo padre Nazareno, “como o Imaculado Coração de Maria”, que “residiu a força interior” dele “nascida do Evangelho, para dedicar-se a serviço dos mais pobres e ao combate doloroso, difícil, contra as diversas formas de injustiça e opressão, como foi a exploração de menores, a prostituição infantil, o combate contra o tráfico de drogas nesta região fronteiriça entre o Brasil e a Bolívia”.

“Nesse sentido”, disse dom João, “o seu testemunho tinha raízes profundas, autênticas, que ele viveu profundamente”. Por isso, ele foi fiel até o fim”.

Segundo o cardeal Aviz, “a figura luminosa do beato, presbítero e mártir padre Nazareno Lanciotti é para nós agora um estímulo eloquente para reavivar os valores do Evangelho que recriam os valores humanos neste momento na história humana em que a cultura dominante tende a diminuir completamente os valores cristãos como se nós não precisássemos mais da ajuda do alto, da presença do nosso Deus que nos salvou”.

Ao final da missa, o bispo de São Luiz de Cáceres, dom Jacy Diniz Rocha, agradeceu pela beatificação do padre Nazareno Lanciotti. “Que o beato padre Nazareno Lanciotti, com seu testemunho radical pelo Evangelho e pela missão, interceda para que sejamos dignos de celebrar a sua memória. Beato Padre Nazareno, rogai por nós!”, disse.

Beato Nazareno Lanciotti

O padre Nazareno Lanciotti nasceu em 3 de março de 1940, em Roma. Foi ordenado sacerdote em 1966 e exerceu seu ministério, inicialmente, em Roma. Em 1971, chegou como missionário ao Brasil e se fixou em Jauru (MT), na fronteira com a Bolívia.

Em Jauru, o padre Nazareno fundou a paróquia Nossa Senhora do Pilar, criou 57 comunidades eclesiais rurais com adoração eucarística diária, organizou um dispensário, construiu a casa de repouso para idosos Coração Imaculado de Maria, abriu uma escola com centenas de crianças, fornecendo educação e alimentação, e instituiu um seminário menor.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano (MSM), uma associação que surgiu em 1972 por inspiração da Virgem Maria ao padre italiano Stefano Gobbi. Seu principal objetivo é reunir sacerdotes e fiéis em um caminho de consagração ao Imaculado Coração de Maria, promovendo a vivência do Evangelho com fidelidade ao papa e à Igreja. O padre Nazarena se tornou diretor nacional do MSM no Brasil e fez várias viagens pelo país para organizar encontros de oração e consagração ao Imaculado Coração de Maria.

Em Jauru, dedicava-se aos mais pobres e combateu várias formas de injustiças, como o tráfico de drogas e a exploração da prostituição.

Em 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava em casa com alguns colaboradores, dois homens encapuzados entraram na residência e um deles atirou na nuca do padre. O sacerdote foi socorrido e levado de avião para Curitiba e depois para São Paulo, mas não resistiu. Padre Nazareno Lanciotti morreu aos 61 anos, em 22 de fevereiro de 2001, depois de perdoar seus assassinos. Ele foi enterrado na igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Jauru.

Em 2007, o então arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio da Silva, iniciou o processo de beatificação do padre Nazareno. Em 14 de abril de 2025, o papa Francisco autorizou a promulgação do decreto do dicastério para as Causas dos Santos que reconheceu o martírio do padre Nazareno Lanciotti.

por Natalia Zimbrão
Fonte: ACI Digital
https://www.acidigital.com