Dom Jaime Spengler e os novos rumos da Igreja no Brasil

24 de abril de 2026, sexta Dom Jaime Spengler e os novos rumos da Igreja no Brasil

Encerram-se nesta sexta-feira, no Santuário em Aparecida, a 62ª

Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),

que trouxe como tema central a discussão e aprovação das Diretrizes

Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Os bispos

aprovaram o documento na manhã do penúltimo dia, 23 abril. O documento,

que orientará as ações da Igreja nos próximos seis anos, foi aprovado

por 294 bispos. Hoje o encerramento dos trabalhos com a celebração

Eucarística.
Entre as orações e as reflexões intensas de dez dias de

trabalho, o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e

Presidente da CNBB – em conversa com a Rádio Vaticano – Vatican News -,

deixou claro que o documento aprovado — as novas Diretrizes para a Ação

Evangelizadora — não pode ser apenas papel.
"O trabalho começa

agora", afirmou o cardeal, com a serenidade de quem sabe que o

verdadeiro desafio é traduzir textos teológicos para a linguagem do

povo. Para ele, a etapa "de mais empenho" é levar esse espírito de

comunhão para as paróquias, movimentos e lideranças leigas em cada canto

do Brasil.

O Profetismo diante da Desigualdade

Dom Jaime não

fugiu dos temas que tocam as feridas do país. Ao comentar a mensagem ao

povo brasileiro, ele traçou um diagnóstico honesto: vivemos na 10ª

economia do mundo, mas habitamos em uma das nações mais desiguais do

planeta. Para a Igreja, o olhar sobre essa realidade precisa ser

profético e cheio de esperança, inspirado no exemplo bíblico de quem

"passou por entre nós fazendo o bem".
Nesse contexto, a juventude

surge como uma preocupação central. Dom Jaime destacou que os jovens são

a parcela que mais sofre com as rápidas mutações da sociedade.

"Precisamos encontrar caminhos viáveis que venham ao encontro do desafio

que a juventude sofre diretamente", pontuou, indicando que a Igreja

precisa ser um porto seguro em tempos de incerteza.

Democracia e Proteção: O Papel Institucional

Com

as eleições de 2026 no horizonte, o cardeal reafirmou a fronteira que

separa a fé da política partidária. Embora a Igreja não se envolva em

dinâmicas de legendas, ela mantém o compromisso com a "promoção da

consciência democrática e republicana". O objetivo, segundo ele, é

fomentar uma sociedade mais justa e integrada através do voto

consciente.
Outro ponto de destaque na Assembleia foi a agenda ética.

A assinatura de um acordo com a Comissão para a tutela de menores foi

tratada por dom Jaime com humildade e senso de urgência. "O que está em

jogo é o futuro das crianças e adolescentes", disse, reforçando que a

Igreja deve ser, acima de tudo, um espaço de vida e plenitude.

Um Novo Pentecostes

Para

quem participa há anos da conferência episcopal, dom Jaime descreve o

encontro como um "Pentecostes" moderno. Ele vê a construção de consensos

entre centenas de bispos como algo que vai além da estratégia

organizada: é, em suas palavras, "obra do Espírito de Deus".
Ao

vislumbrar o futuro e a próxima eleição da presidência da CNBB, o

arcebispo celebrou a alternância de poder e a chegada de "sangue novo".

Dom Jaime, que por força dos estatutos não será candidato, encerra este

ciclo com uma reflexão que resume sua trajetória: "quando nós gostamos

do que somos e amamos o que fazemos, avançamos com serenidade".

Aprovação

Desde

o início da Assembleia, no dia 15 de abril, os bispos se dedicaram a

analisar o texto das Diretrizes, apresentado pela Comissão de elaboração

das diretrizes.
Divididos em grupos por regionais, o episcopado

apresentou um total de 656 emendas ao texto original, que foram acatadas

pela comissão e está presente, em quase sua totalidade, no texto final

apresentado aos bispos.
Antes da aprovação nesta quinta-feira, dom

Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da

comissão responsável pelas diretrizes, apresentou ponto a ponto o novo

texto com a inclusão das emendas. Segundo o bispo, quase 90% das emendas

recebidas foram incorporadas ao texto final. “Sempre preservando a

unidade, a coerência e o horizonte global do texto”, destacou dom

Leomar. “Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão

real da nossa caminhada comum.”
Ao final da apresentação das

diretrizes por dom Leomar, os bispos aplaudiram de pé, reconhecendo todo

trabalho da comissão e o empenho em espírito de verdadeira comunhão,

como destacou dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e

presidente da CNBB. “Creio que temos em mãos um verdadeiro pentecostes,

isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”, falou dom

Jaime.
Após a correção do texto, as diretrizes estarão disponíveis, de forma impressa pelas Edições CNBB, em quatro semanas.

19º Congresso Eucarístico Nacional

Dom

João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou aos bispos sobre

19º Congresso Eucarístico Nacional, que será realizado em setembro de

2027 em Goiânia (GO). O evento é organizado pela Arquidiocese de Goiânia

em colaboração com as dioceses do regional Centro-Oeste da CNBB, que

abrange o Distrito Federal e o estado de Goiás.

O tema desta edição será “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”.

Com informações CNBB

Fonte: Vatican News
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