Conversas e amizades ficam em segundo plano com uso de telas

04 de setembro de 2026, sexta Conversas e amizades ficam em segundo plano com uso de telas

Os equipamentos eletrônicos fazem parte da rotina dos adultos e até de crianças e adolescentes. Mas quando as telas ocupam espaço, a conversa, a convivência e até as amizades podem ficar em segundo plano. A reportagem a seguir mostra alguns impactos desse comportamento.

Estar junto significa mais estar presente. A conversa que antes começava com um oi, agora pode começar com uma mensagem. O encontro virou chamada de vídeo e até o silêncio ganhou companhia: a tela do celular. “Mais de 8 horas por dia, pelo menos 1/ dia, você acaba ficando até um pouco desnorteada quando passa mais de uma hora sem o celular”, falou o vendedor, George Lemos.

“O tempo todo, é muita informação, não tem como a gente ficar sem o aparelho celular”, disse o corretor de imóveis, Wagner Kalango.

Quando se fala em criança e adolescente, o problema não está apenas no tempo diante das telas. Especialistas alertam que é preciso observar também aquilo que esse tempo está substituindo, o sono, as brincadeiras, a convivência e as relações presenciais. “Não tem um espaço para diálogo em casa, não tem outras crianças para brincar, essa criança não socializa e fica só na tela, ela perde muitas coisas de desenvolvimento socioemocional, de desenvolvimento cognitivo, de habilidades que a gente desenvolve na infância”, contou a psicóloga, Denise Souza.
A tecnologia aproximou quem está longe, mas também afastou quem está perto. E quando o celular ocupa o espaço da conversa, principalmente crianças e adolescentes deixam de exercitar algo fundamental para a vida em sociedade: ouvir, responder, discordar e se relacionar com o outro.

Desde 2025, uma lei federal restringe o uso de celulares por estudantes nas escolas de educação básica, inclusive durante atividades pedagógicas. “Retirar isso desse nosso ambiente foi fundamental. Eles conseguem interagir, conversar, ter esse momento de foco maior”, partilhou a psicóloga escolar, Juliana Terra.

Talvez a questão não seja abandonar a tecnologia, mas aprender a usá-la sem deixar que ela ocupe o lugar das pessoas. Quando não estiver conectado, é mais que necessário estar presente. “Olhem o celular dos seus filhos, veja o conteúdo que está sendo assistido. E o celular ele não tá sendo o vilão da história, mas sim como ele está sendo usado”, ressaltou ela.

“Isso serve para tudo. Inclusive pros adultos conseguirem conversar. Se a gente fica no celular, a gente não consegue conversar com quem está na nossa frente”, concluiu a psicóloga.

Fonte: Cançao Nova Not
https://noticias.cancaonova.com