A Igreja é estéril quando vai pelo caminho da hipocrisia e do fariseísmo, só quando “se abre à novidade de Deus” é fecunda e mãe, afirmou esta sexta-feira o Papa Francisco durante a Missa na Casa Santa Marta, onde pediu rezar para que sempre se mantenha esta maternidade, pois “tantas vezes eu penso que a Igreja em alguns lugares, mais do que mãe é uma empresária”.Segundo Rádio Vaticana, o Papa celebrou esta sexta-feira a última Missa em Santa Marta deste ano, na que participou um grupo de fiéis. Em sua homilia destacou a “nova Criação”, que representa o nascimento de Jesús e que faz novas todas as coisas.Assim, reflexionou sobre as leituras do dia que narram os nascimentos milagrosos de Sansón e Juan Bautista. Recordou que no Povo de Israel era “quase uma maldição não ter filhos” e que na Bíblia encontramos a tantas mulheres estéreis nas que “o Senhor faz o milagre”.
Ademais, Francisco destacou que a Igreja “nos faz ver este símbolo da esterilidade precisamente antes do nascimento de Jesús, e também de parte de uma mulher incapaz de ter um filho por sua decisão de permanecer virgem”.Este é “o signo da humanidade incapaz de dar um passo mais”, comentou o Santo Pai. E adicionou que a Igreja “quer fazer-nos reflexionar sobre a humanidade estéril”.“Da esterilidade, o Senhor é capaz de voltar a começar uma nova descendência, uma nova vida.
E este é a mensagem de hoje. Quando a humanidade está extenuada, já não pode caminhar, vem a graça e vem o Filho, e vem a Salvação. E aquela criação esgotada deixa lugar à nova Criação…”.“Esta ‘segunda’ Criação quando a Terra está esgotada é a mensagem de hoje”. Disse que nós esperamos àquele que “é capaz de recrear todas as coisas, de fazer novas as coisas. Esperamos a novidade de Deus”. É Natal, “a novidade de Deus que volta a fazer, de modo maravilhoso a Criação, e todas as coisas”. Francisco indicou que tanto a esposa de Manoach, mãe de Sansón, como Isabel, serão mães obrigado à ação do Espírito do Senhor. E se perguntou que mensagem nos deixam estas leituras. “Abramo-nos ao Espírito de Deus. Nós, sós, não somos capazes. É Ele quem pode fazer as coisas”, convidou.“Também isto me faz pensar em nossa mãe Igreja; também em tantas esterilidades que tem nossa mãe Igreja: quando, pelo peso da esperança nos mandamentos, aquele pelagianismo que todos nós levamos nos ossos, volta-se estéril. Crê-se capaz de dar a luz… não, ¡não pode!
A Igreja é mãe, e se faz mãe só quando se abre à novidade de Deus, à força do Espírito. Quando se diz a si mesma: ‘Eu faço tudo, mas, terminei, ¡não posso avançar mais!’, vem o Espírito”.“E também hoje é um dia para rezar por nossa mãe Igreja, por tantas esterilidades no povo de Deus. Esterilidade de egoísmos, de poder… quando a Igreja crê que pode tudo, que se adueña das consciências da gente, de ir pelo caminho dos Fariseos, dos Saduceos, pelo caminho da hipocrisia, eh, a Igreja é estéril. Rezar. Que nossa Igreja aberta ao dom de Deus o faça neste Natal, que se deixe surpreender pelo Espírito Santo e que seja uma Igreja que faça filhos, uma Igreja mãe. Mãe. Tantas vezes eu penso que a Igreja em alguns lugares, mais do que mãe é uma empresária”, assinalou.Por isso, “vendo esta história de esterilidade do povo de Deus e tantas histórias na história da Igreja que a fizeram estéril peçamos ao Senhor, hoje, olhando o Presépio”, a graça “da fecundidade da Igreja. Que antes de mais nada, a Igreja seja mãe, como María”.