Igreja é chamada a ser pobre e refúgio para os necessitados, afirma Papa Leão XIV

A Santa Sé divulgou nesta segunda-feira (14) a mensagem do Papa Leão XIV para o **X Dia Mundial dos Pobres**, que será celebrado no dia 15 de novembro de 2026. Com o tema *“O Senhor é o refúgio do pobre”*, inspirado no Salmo 14,6, o Pontífice reforçou a identidade essencial da comunidade eclesial, sublinhando que a Igreja, por sua própria identidade e missão, deve se manifestar como um espaço de acolhimento e desapego material.

De acordo com o Papa, a Sagrada Escritura é o farol necessário para que o povo de Deus compreenda o papel central que os mais necessitados ocupam na ação evangelizadora.

A data em questão foi estabelecida pelo Papa Francisco em 2016, no encerramento do Jubileu da Misericórdia, com a orientação de ser vivenciada sempre no XXXIII Domingo do Tempo Comum — preparando os fiéis para a Solenidade de Cristo Rei, que neste ano ocorrerá em 22 de novembro.

Injustiça e o esquecimento de Deus

No texto, Leão XIV faz uma crítica contundente às estruturas sociais contemporâneas, lamentando o crescimento da miséria decorrente de uma "corrupção arrogante" e discriminatória. Para o Sucessor de Pedro, a crise social está intimamente ligada a uma crise de fé prática.

> “A perda do sentido de transcendência na vida quotidiana já não é tanto uma negação teórica da existência de Deus; antes, manifesta-se em não considerar a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social”, advertiu o Papa.

O Pontífice explicou que, quando a humanidade se afasta da presença divina, as relações humanas deixam de ser pautadas pelo respeito mútuo e passam a ser dominadas pela opressão e pela busca de poder uns sobre os outros, tendo os pobres como as primeiras vítimas desse cenário.

O desafio da indiferença na era digital

Um dos pontos de destaque da mensagem aborda a influência da tecnologia nas relações humanas. O Papa alertou que as redes e o ambiente digital têm funcionado, muitas vezes, como ferramentas que camuflam o sofrimento social, ampliando preconceitos e criando uma "cortina de indiferença" em relação às pautas dos vulneráveis.

Contudo, Leão XIV recordou que o clamor dos indefesos encontra eco seguro no coração de Deus. Ao se entregarem à providência divina, os marginalizados recuperam o sentido de sua própria dignidade e encontram forças para caminhar em fraternidade. O Papa pontuou que os mais humildes possuem uma sensibilidade aguçada para o que é essencial na vida, assemelhando-se de forma única a Jesus Cristo.

Exame de consciência e o exemplo de São Francisco

Provocando a comunidade cristã a sair da inércia, o Santo Padre propôs uma série de questionamentos práticos para as paróquias, dioceses e movimentos eclesiais:

- Somos, de fato, um sinal do refúgio de Deus para os que sofrem?
- Temos consciência de nossas próprias pobrezas ou preferimos as riquezas injustas?
- Conseguimos ir ao encontro dos marginalizados, ouvir suas aspirações e pronunciar seus nomes com ternura?

O Papa indicou que essas perguntas exigem uma sincera avaliação pastoral e pessoal. Como inspiração, Leão XIV evocou a figura de **São Francisco de Assis**, cujo oitavo centenário de morte é recordado, lembrando o gesto do "Poverello" ao se misturar e se compadecer dos mendigos em Roma.

O Pontífice concluiu destacando que colocar-se no lugar dos mais necessitados e ouvi-los — em vez de apenas discursar sobre eles — gera uma alegria transformadora, capaz de curar as feridas de um mundo marcado pela soberba.