Cultura da Vida: Deus confia ao ser humano a missão de cuidar da vida

Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 28° encontro, Deus confia ao ser humano a missão de cuidar da vida.

Como ensinam tantos documentos da Igreja, mais especificamente o Catecismo e a encíclica Evangelium vitae, o ser humano é chamado a uma plenitude de vida que vai muito além desta existência terrena. Deus nos criou para participar da sua própria vida. Isso significa que cada pessoa humana possui um valor infinito, porque foi querida, amada e chamada por Deus desde sempre, criada à Sua imagem e semelhança. A vida que vivemos aqui na terra é o início desse caminho que culmina na eternidade.

Justamente por isso, essa vida terrena é sagrada. Ela não é algo descartável ou secundário. É uma realidade confiada a nós para ser cuidada com responsabilidade, amor e respeito. Cada pessoa humana, desde o primeiro instante de sua existência até a morte natural, carrega uma dignidade que não depende de idade, saúde, condição social, utilidade ou reconhecimento dos outros.

Mesmo quem não tem fé muitas vezes percebe isso. Existe na consciência humana uma percepção profunda de que a vida deve ser protegida. Essa percepção é o fundamento da convivência social. Quando uma sociedade deixa de reconhecer o valor inviolável da vida humana, especialmente dos mais frágeis, ela começa a perder o próprio sentido de humanidade.

A fé cristã aprofunda ainda mais a compreensão sobre o valor inviolável da vida humana. Pela Encarnação, Deus Filho assumiu a nossa humanidade. Ele se uniu, de certo modo, a cada pessoa e com isso revela o valor incomparável de cada vida humana. Defender a vida é, portanto, reconhecer a presença de Deus na história e na existência concreta de cada pessoa.

Por isso, toda ameaça à vida humana toca profundamente o coração da Igreja. Entre essas ameaças, o aborto ocupa um lugar particularmente grave. Ele representa a eliminação deliberada de uma vida inocente no momento em que essa vida é mais indefesa. Não se trata apenas de uma questão privada ou individual. É um problema humano, social, cultural e espiritual.

Vivemos numa época em que, muitas vezes, a vida é relativizada. Há investimentos enormes em tecnologias, medicamentos e estratégias para expandir o aborto, tornando-o cada vez mais acessível. Muitas vezes, ele é apresentado como solução simples para situações difíceis, no entanto, essa aparente facilidade esconde feridas humanas, psicológicas e espirituais.

A cultura contemporânea, em alguns contextos, tende a valorizar mais a eficiência, a autonomia individual e o conforto imediato do que a proteção da vida. Quando isso acontece, corre-se o risco de tratar a vida humana como algo descartável, especialmente quando ela se apresenta frágil, dependente ou inesperada.

Mas a Igreja não fala apenas de problemas. Ela também reconhece e valoriza os inúmeros sinais de esperança presentes no mundo. Existem muitas pessoas que, silenciosamente, defendem a vida todos os dias. Pais e mães que acolhem seus filhos mesmo em situações difíceis; profissionais de saúde que acompanham gestantes com dedicação; voluntários que ajudam mulheres em situação de vulnerabilidade; famílias que adotam crianças; religiosos e leigos que cuidam dos doentes, dos idosos e dos mais frágeis. Esses gestos, muitas vezes escondidos, constroem aquilo que São João Paulo II chamou de “civilização do amor e da vida”.

Defender a vida não significa apenas combater o aborto ou outras ameaças diretas. Significa criar uma cultura de conscientização e de acolhimento, apoiando a maternidade, fortalecendo as famílias, oferecendo acompanhamento pastoral, psicológico e social às mulheres em dificuldade, educando as novas gerações para o amor verdadeiro e o respeito à vida, e promovendo políticas que valorizem a dignidade humana.

Deus confia ao ser humano a missão de cuidar da vida. Defender, promover, amar e servir a vida é uma vocação universal. Cada pessoa, independentemente de sua profissão ou estado de vida, pode contribuir para isso.

A ciência e a tecnologia também têm um papel importante. Quando orientadas pela ética e pelo respeito à pessoa humana, tornam-se instrumentos poderosos para o bem. O problema não é o progresso científico em si, mas quando ele se afasta da dignidade humana e passa a tratar a vida como objeto manipulável.

Construir uma cultura da vida exige coragem, formação, testemunho e amor. Não se trata de impor ideias, mas de testemunhar uma verdade que faz bem ao ser humano. Cada cristão é chamado a ser um promotor da cultura da vida, e isso acontece não apenas em grandes debates ou ações públicas, mas sobretudo nos gestos simples do cotidiano: acolhendo, cuidando, ouvindo, apoiando, consolando, protegendo.

Este foi mais um Cultura da Vida, um grande abraço a todos e até a próxima!

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