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  • 1 Então Sofar de Naama tomou a palavra nestes termos:
  • 2 Ficará sem resposta o que fala muito, dar-se-á razão ao grande falador?
  • 3 Tua loquacidade fará calar a gente; zombarás sem que ninguém te repreenda?
  • 4 Dizes: Minha opinião é a verdadeira, sou puro a teus olhos.
  • 5 Oh! Se Deus pudesse falar, e abrir seus lábios para te responder,
  • 6 revelar-te os mistérios da sabedoria que são ambíguos para o espírito, saberias então que Deus esquece uma parte de tua iniqüidade.
  • 7 Pretendes sondar as profundezas divinas, atingir a perfeição do Todo-poderoso?
  • 8 Ela é mais alta do que o céu: que farás? É mais profunda que os infernos: como a conhecerás?
  • 9 É mais longa que a terra, mais larga que o mar.
  • 10 Se ele surge para aprisionar, se apela à justiça, quem o impedirá?
  • 11 Pois ele conhece os malfeitores, descobre a iniqüidade, presta atenção.
  • 12 Diante disso, uma cabeça oca poderia compreender, um asno tornar-se-ia razoável.
  • 13 Se voltares teu coração para Deus, e para ele estenderes os braços;
  • 14 se afastares de tuas mãos o mal, e não abrigares a iniqüidade debaixo de tua tenda,
  • 15 então poderás erguer a fronte sem mancha; serás estável, sem mais nenhum temor.
  • 16 Esquecerás daí por diante as tuas penas: como águas que passaram, serão apenas uma lembrança;
  • 17 o futuro te será mais brilhante do que o meio-dia, as trevas se mudarão em aurora;
  • 18 terás confiança e ficarás cheio de esperança: olhando em volta de ti, dormirás tranqüilo;
  • 19 repousarás sem que ninguém te inquiete muitos acariciarão teu rosto,
  • 20 mas os olhos dos maus serão consumidos; para eles, nenhum refúgio; não terão outra esperança senão em seu último suspiro.
  • 1 Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta.
  • 2 Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão.
  • 3 Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.
  • 4 A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
  • 5 Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.
  • 6 Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.
  • 7 Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
  • 8 Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
  • 9 Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
  • 10 Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.
  • 11 Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.
  • 12 Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.
  • 13 Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
  • 14 Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.
  • 15 Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.
  • 16 A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
  • 17 À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.
  • 18 Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.
  • 19 Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.
  • 20 Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
  • 21 Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
  • 22 Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.
  • 23 Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
  • 24 Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
  • 25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
  • 26 E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?
  • 27 Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
  • 28 A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.
  • 29 Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.
  • 30 (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)
  • 31 Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
  • 32 Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
  • 33 Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,
  • 34 perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.
  • 35 Jesus pôs-se a chorar.
  • 36 Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!
  • 37 Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
  • 38 Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
  • 39 Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
  • 40 Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.
  • 41 Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.
  • 42 Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.
  • 43 Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
  • 44 E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
  • 45 Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
  • 46 Alguns deles, porém, foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus realizara.
  • 47 Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres.
  • 48 Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação.
  • 49 Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada!
  • 50 Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação.
  • 51 E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação,
  • 52 e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos.
  • 53 E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida.
  • 54 Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.
  • 55 Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar.
  • 56 Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no templo: Que vos parece? Achais que ele não virá à festa?
  • 57 Mas os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que todo aquele que soubesse onde ele estava o denunciasse, para o prenderem.
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